Acerca da Liberdade

É plena de gozo a sensação de soltar as amarras que nos mantém cativos junto ao abismo de sombra e desolação que é a incerteza. Da tristeza cotidiana de viver, de escutar os murmúrios do acaso e o ranger do ócio. Ao final de tudo isso, sinto-me livre. Após correr algumas léguas atado ao fardo do desespero e da dúvida, sinto-me livre. Enfim, sinto-me livre. Livre.

E após todo esse processo. Após sentir, mais uma vez, a dor daquilo que não foi e daquilo que poderia ter sido, me vi forte o bastante para soltar as amarras. E diante de tudo consegui me erguer. E diante do mais danoso e perverso me levantei. Agora caminho livre, pleno de entendimento, sem nada que me sufoque. Sufoque.

Desde o princípio já sabia que não poderia ser. Já sabia que estava fadado ao erro de tentar e falhar. E ébrio de esperança inócua me entreguei. Mas ao fundo mantendo o coração consternado, esperando o golpe final. E ele veio, não para matar, mas para me deixar mais forte. Forte.

Agora, livre, pleno, caminhante, sigo. Longe de qualquer amarra, livre de qualquer prisão. E por ser solto assim, entendo o risco que corro. Mas de nada vale a vida sem risco. Mas de nada vale um risco sem vida. Um risco vivido, um perigo intenso, aproveitado, puro. Puro.

Liberdade. Livre de tanta limitação, de tanto erro, de tanta angústia. Enfim livre. Livre para se encantar e apreciar, livremente entender, quem sabe amar, sobretudo viver. Deveras livre. Deveras.

 

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