Coisas que eu sei

(…)
Eu gosto do meu quarto
Do meu desarrumado

Ninguém sabe mexer
Na minha confusão
É o meu ponto de vista
Não aceito turistas
Meu mundo tá fechado
Pra visitação
Coisas que eu sei
O medo mora perto
Das ideias loucas
Coisas que eu sei
Se eu for, eu vou assim
Não vou trocar de roupa
É minha lei

(…)

Coisas que eu sei (Dudu Falcão)

Apontam que essa música é o “hino dos introvertidos”. Não me considero um introvertido, acho que falo até demais, mas os versos de Dudu Falcão dizem muito de mim e sobre mim. É uma das minhas canções favoritas e hoje, numa viagem de ônibus, me peguei contemplando a paisagem enquanto ela tocava.

Tenho pensado muito nas minhas últimas escolhas e o quanto a vida mudou a partir delas. E o quanto ainda ela vai mudar. Perceber que muito do que construímos é como castelo de areia, nos traz para uma realidade muito difícil de lidar. Entender que não tenho que dar satisfações, muito menos me preocupar com o que pensam sobre essas escolhas, é em certo grau libertador. Não é fácil, não é automático, não é sem consequências. Me afastei de lugares, de pessoas, de atitudes. Tudo isso são coisas que eu sei.

Há muito não estabelecia metas tão fortes para comigo, que ganharam um laço à mais esse fim de semana, quando percebi o quanto eu poderia ter sido ao confiar naquilo que eu sabia e naquilo que eu sentia. Contemplar o horizonte, da janela de um ônibus, com a luz da tarde de inverno, nos ajuda a abstrair questões profundas da existência. É o velho adágio de que a vida só faz sentido se em movimento. E ver a vida acontecendo, por mais cotidiana que ela seja, nos ajuda a encontrar um lugar para a nossa.

(…)
Às vezes, dá preguiça
Na areia movediça
Quanto mais eu mexo
Mais afundo em mim
Eu moro num cenário
Do lado imaginário
Eu entro e saio sempre
Quando eu tô a fim
Coisas que eu sei
As noites ficam claras
No raiar do dia
Coisas que eu sei
São coisas que antes
Eu somente não sabia
(…)

Das coisas que eu sei é, sobretudo, das coisas que quero. Sem censuras, sem julgamentos, sem medidas ou até pesares. Saber exatamente o que quer, é saber qual estrada trilhar, mesmo que ela seja tortuosa, mesmo que ela seja íngreme, mesmo que o destino dela não seja o que esperam de nós. Não temer, seguir adiante, tudo aquilo que nossas mães nos falam – e estão corretas – sobre tentar e arriscar

Afinal, das “coisas que eu sei, são coisas que antes eu somente não sabia, agora eu sei”.

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