Escuridão

escuridaoFábio Coala sempre entendo bem aquilo que passamos…. E fazendo nossos olhos suarem. =)

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Milton

“…espero um pouco mais e aprendi

a ser como o machado

que despreza o perfume do sândalo…”

Eu não me lembro quando escutei Milton pela primeira vez, muito menos qual foi a primeira música. Provavelmente foi durante a adolescência, ou quase isso. O encanto, a euforia, o vislumbre sempre fizeram parte. Uma coisa que nunca consegui explicar, nunca foi racional. O sentimento que salta ao coração ao escutar a voz de Bituca, uma música dele, do Clube. Uma relação de intimidade, quase uma trilha sonora pessoal. Relutei por muito tempo em afirmar que tinha um determinado cantor, compositor, artista favorito. E hoje, sem medo posso falar que é Milton Nascimento. Toda sua obra, seu encanto, sua genialidade me tocam a alma. De uma forma que poucas coisas neste universo me tocam. Eu não consigo explicar! É tão entranhado em meu ser, em minha personalidade, a forma como suas músicas saltam à minha mente nas diversas situações da vida, como embalam minha emoções e sentimentos, como me sinto tão pequeno face à grandiosidade de sua arte.

Não sei quantas vezes li “Os Sonhos Não Envelhecem” do Márcio Borges. Provavelmente mais que uma dezena de vezes. Cada uma delas me trouxe uma experiência diferente, uma nova forma de ver cada canção. Cada momento ali relatado sempre busquei uma identificação, mas nunca consegui. Tudo aquilo faz parte de algo superior que minha geração, incapaz de expressar seus sentimentos, não vivenciou ou vai vivenciar. Há ali um esmero pela arte de viver e tornar cada momento único e assim alimentar a arte.

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“…de novo na esquina os homens estão

todos se acham mortais

dividem a noite, a lua, até solidão…”

Pela segunda vez fui a show do Milton. E o que pode parecer muito pequeno à maioria da pessoas, o que é apenas mais uma apresentação artística para muitos, há para mim uma relação muito maior. É aqui que me atrevo a remeter à carta escrita por Milton a Márcio Borges sobre seu encontro com Jeanne Moreau. Tudo o que Jeanne representava para ele, para sua obra, para sua vida sumia diante dela. E hoje, tudo aquilo que eu sentia por Milton sumiu diante de sua presença. E era ele ali.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1P2R9F1IyB8&w=420&h=315]

Realmente, não é racional. Não quero que seja. As lágrimas que me lavaram o rosto hoje são a única explicação que consigo dar. E hoje, durante Travessia, me entreguei. Era como se ele cantasse para mim e eu estivesse só diante dele. Realmente, Gonzaguinha estava certo, Travessia é uma das coisas mais belas que existem. E durante Canção da América lembrei de cada bom momento que vivi com meus amigos e me vi não conseguindo abrir os olhos, já que as lágrimas não deixavam. E naquele universo turvo de luzes e cores só a sua voz ecoava, dentro do meu coração.

Até agora não consegui processar tudo isso. O quão foi incrível e sublime. O quanto tudo isso significou para mim. E mesmo parecendo tão pouco diante de uma miríade de coisas, para a maioria das pessoas, a mim é como a apoteose que atinge a alma e nos faz plenos.

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“…sei que nada será como antes, amanhã…”

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Ponta de Areia

Estou impressionado. Apenas.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Zh0QD1uwFW0&w=560&h=315]

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Leite e Mel

A primeira vez que escutei Jackson Carey Frank foi através do Electroma do Daft Punk. A voz ao mesmo tempo firme e suave, grave e serena, logo me encantou. Devo ter escutado I Want To Be Alone cerca de trinta vezes seguidas.

Jackson Carey Frank, ou Jackson C. Frank, nasceu em 1943 e praticamente teve uma vida marcada pelo trauma, depressão, tragédias pessoais e problemas psicológicos. Quando criança teve 50% do corpo queimado, devido a uma explosão na escola. Isso o afetou por toda a vida. Durante o tempo no hospital ele aprendeu a tocar violão e a cantar. Com o dinheiro do seguro vai até a Inglaterra onde grava seu primeiro (e praticamente único) álbum, produzido por Paul Simon. Jackson era tão tímido que tocava atrás de biombos.

Seus problemas psicológicos se agravam e o dinheiro do seguro começa a acabar. Ele volta para os Estados Unidos, onde casa-se e tem um filho. Seu filho, porém, morre de fibrose, o que acaba por piorar sua depressão. Ele passa a morar nas ruas, contrai problemas na tireoide e acaba sendo esquecido pela mídia. Achado por um fã ele é levado para Woodstock, onde começa a gravar alguns singles. Sua sanidade e voz já não eram mais a mesmas.

Enquanto morava nas ruas Jackson acabou levando um tiro de chumbo no olho, o que o cegou do lado esquerdo. Crianças estavam atirando, de forma indiscriminada, com espingardas de chumbo, acertando-o. Jackson Carey Frank morre de pneumonia um dia após completar 56 anos, em 1999.

Nunca fez sucesso em vida, apesar de sua canções serem executadas pelos principais cantores folks americanos. Toda a depressão, melancolia, tragédia e traumas é expresso em suas canções. Uma tristeza reconfortante, aguçada pelo dedilhado do violão e transcendente pelo tom de sua voz. Uma temática cotidiana, que nos faz refletir sobre o percurso da vida e a sua validade.

Há um sítio eletrônico mantido por fãs, desde 1997, como tributo a Jackson. Ele pode ser acessado aqui.

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=fO7ih6Nu3MA]

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I want to be alone (Dialogue)

I want to be alone
I need to touch each stone
Face the grave that I have grown
I want to be
Alone
Before all the days are gone
And darker walls are bent and torn
To pass the time of those who mourn
I want to be
Alone
Rivers that run anywhere
Are in my hand and just up the stair
Past the eyes of those who care
Who can never be
Alone
Changes that were not meant to be
Tow the hours of my memory
Sing a song of love to me
To say you must never
Never be alone
The tears of a silent rain
Seek shelter on my broken pain
And run away
But I remain
To speak the words
That sing
Of alone
I want to be alone
I need to touch each stone
Face the grave that I have grown
I want to be
Alone

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=_DxBx4FyTqY]

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